domingo, 18 de setembro de 2011

MATÉRIA DO DIA 18/09 DO O DIÁRIO DE MARINGÁ

Cozinhando com mãos especiais

Farinha, açúcar, ovo, leite, fermento... após misturados, todos os ingredientes vão ao fogo e começam a dar vida ao bolo que co

O cheiro está delicioso, provoca o paladar e envolve todo o espaço, chamando a atenção de quem caminha pela rua. Enquanto o tempo passa, é hora de lavar a louça, guardar os talheres e prestar atenção na professora. Professora?

Isso mesmo, cozinhar pode ser uma arte, um dom, ou simplesmente encarada como a saída para matar a fome, entretanto para uma turma de Maringá, formada por alunos com deficiência mental ou intelectual, autismo e outros tipos transtorno de desenvolvimento, trata-se de uma atividade educativa.

João Paulo Santos

Aulas são divertidas e aprovadas por todos. Vai um suquinho aí?

Tânia Regina, professora e proprietária de uma escola especial de Maringá, explica que são os próprios alunos quem escolhem as receitas.

Segundo ela, a culinária educativa estimula a concentração, o trabalho em equipe, o senso de organização, o controle motor e contribui para o aprendizado dos pesos, medidas e sistema monetário, uma vez que são os próprios alunos que compram os ingredientes.

"Sendo assim um dos principais pontos positivos que a elaboração dos pratos promove é a independência do aluno. É o aluno, inclusive, que fica responsável por organizar a lista de produtos", diz Tânia

Dentre as receitas executadas estão uma série de alimentos simples e, principalmente, deliciosos. No cardápio há desde chocolate quente, vitaminas, sucos naturais, gelatina, salada de frutas, chás medicinais e sanduíches naturais até guloseimas como brigadeiro, cocadas, bolo de chocolate e doces com leite ninho.

Brigadeiro e suco
"Eu faço sozinho o brigadeiro
no micro-ondas e depois faço
as bolinhas. O suco, eu
espremo as laranjas sozinho"
Lucas Dacomi
Aluno

Os alunos não têm acesso a objetos cortantes e ao fogo. Quando seu uso é necessário, os professores os auxiliam nessa tarefa.

Pais e filhos aprovam as aulasLucas Dacomi, 15, é um dos alunos participantes das aulas. Ele conta que fazer suco e brigadeiro é
sua especialidade.

"Até em casa já ajudei minha mãe a fazer. Eu faço sozinho o brigadeiro no micro-ondas e depois faço as bolinhas. O suco, eu espremo as laranjas sozinho", afirma ele, orgulhoso.

Danielle Marçal, 35, também faz brigadeiro em micro-ondas, porém seu predileto mesmo é o bolo formigueiro. "Esse sim é o que a gente mais gosta", garante.

Já para Matheus Jacomini de Almeida, 14, nada supera o bolo de chocolate. Quando questionado se seu prato é gostoso, ele é enfático: "Sim. Foi eu quem fiz, né!", responde prontamente

E não são apenas os alunos que aprovam as aulas de culinária educativa. De acordo com Tânia, os pais, da mesma forma, são só elogios. "Seus filhos ficam mais independentes. Quando sentem fome vão lá e preparam seu próprio lanche. Sem contar que muitos ajudam os pais na cozinha, o que também é muito importante para ambos", completa.

Desde cedo

3 anos A partir dessa idade, é possível iniciar o trabalho de culinária educativa com os alunos.

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